até lá
quando meu pai morreu eu aprendi que a morte existia.
não me leve a mal, eu sabia - teoricamente - que esse é o destino de todos nós, mas, como a maioria de nós, eu achava que ela acontecia com pessoas mais velhas, beeem mais velhas, e basicamente ainda não era um problema meu.
curioso que eu já tinha perdido dois amigos próximos, queridíssimos, muito novos e que me fazem muita falta. mas com todo amor que eu sentia por eles, é diferente. a morte do meu pai me traiu. eu contava com ele perto de mim na vida, como explicar, minha vida continha a presença, o amor e a amizade do meu pai. ele era tão novo, tão encantado com a vida, nada me fazia crer que logo isso estaria em risco.
então estava. e ele pronto, morreu, foi, com a crueza da mais absoluta verdade da natureza. e eu aprendi que também vou morrer, provavelmente mais cedo do que tarde, eu aprendi que é preciso fazer seguro de vida/aposentadoria/cuidar dos músculos e dos dentes, eu fiquei mortal e sem graça.
esse abismo faz um três anos, não consigo contar bem essa data, tudo turbulento e tão veloz, tanta coisa - e ao mesmo tempo nada, nada, nada - acontece, que apenas hoje, esse sábado qualquer, eu entendi uma coisa: eu vou morrer, é verdade, mas até lá estou viva.


Aprendi que sou mortal no mesmo tempo em que aprendi que a vida é frágil… me pegou muito esse seu texto!
Pensando tanto sobre isso...